Novas formas de organização espontânea nas ocupações de terras após a revolta social. O caso de Osorno, 2019
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Resumo
Este artigo examina o processo de desancoragem das alianças sociopolíticas tradicionais nas recentes ocupações de terras no Chile, com foco no caso da cidade de Osorno após a revolta social de 2019. Diferentemente de períodos anteriores, em que partidos políticos, movimentos sociais ou instituições religiosas desempenhavam um papel intermediador fundamental, observa-se atualmente uma organização espontânea liderada por sujeitos excluídos do sistema formal de habitação. Por meio de uma metodologia qualitativa — que inclui dez entrevistas semiestruturadas e uma análise da imprensa local — são exploradas as condições que possibilitaram a reativação desse repertório de ação coletiva. Os resultados evidenciam que a revolta abriu uma janela de oportunidade para a mobilização autônoma, impulsionada por transformações emocionais e cognitivas que deram origem a novas formas de organização. Estas se caracterizam por princípios de igualdade, pelo uso intensivo das redes sociais e por um forte componente de trabalho comunitário. Propõe-se interpretar essas experiências como expressões de uma agência situada, que desafia as rotas institucionais de acesso à habitação e ressignifica o território como espaço político.
